Governo finlandês tenta salvar a indústria das peles da crise 

Governo finlandês procura apoiar a indústria das peles num contexto mundial de forte redução da procura. Movimentos animalistas pressionam o governo a abolir a produção de peles. Na Europa 25 países já aboliram a atividade. 

A indústria das peles está em crise a nível mundial. Há já vários anos que a procura de peles pela indústria da moda tem registado uma tendência de decrescimento a ponto do negócio já não ser rentável para muitos produtores. Na Finlândia existiam no final de 2023 cerca de 442 explorações de peles de pêlo (provenientes de raposas, visons, martas e guaxinis). Este número deverá diminuir ainda mais, uma vez que a procura mundial de peles continua a diminuir. No entanto, o governo finlandês, apoiado por uma coligação de quatros partidos de direita, comprometeu-se, no seu programa de governo, a apoiar a criação de peles. A Finlândia é o 3.º produtor europeu de peles, depois da Polónia e Grécia. O Ministério da Agricultura e das Florestas, em colaboração com o setor, está prestes a apresentar uma lei relativa às peles numa tentativa de salvar a indústria que dá emprego a 1420 pessoas segundo a entidade representativa do setor, a FIFUR.  

Segundo a ONG Animalia, o governo finlandês está a caminhar na direção errada. Para esta ONG animalista o caminho certo é a supressão total da produção das peles tal como está a fazer o governo sueco. Na Suécia o governo implementou um programa de incentivo ao abandono da criação de peles que conta com um orçamento de 16 milhões de euros. A condição da prestação do auxílio ao abandono é que o beneficiário não reinicie a atividade nem seja acionista de uma empresa de criação de peles. A Suécia pôs termo à criação em cadeia devido a restrições rigorosas e está a preparar uma proibição total da criação de peles. 

As peles estão a ser vendidas com prejuízo na Finlândia. Em janeiro, a empresa de leilões de peles Saga Furs  lançou um leilão on-line de peles de raposa e de guaxinim. Os resultados foram escassos. Apenas metade das peles foram vendidas, e muito abaixo dos custos de produção. O custo de produção de uma raposa ronda os 80-100 euros. A última vez que uma raposa valeu mais de 100 euros foi há 10 anos. 

 “Há muitos anos que não se faz isto por causa do dinheiro”, diz Esa Rantakangas, diretor-geral da exploração Höltin Mink, que vai fechar, numa entrevista ao jornal Ilkka-Pohjalainen. Segundo ele, a última vez que o negócio da criação de peles foi claramente lucrativo foi em 2017, quando a Höltin Minkki recebeu um pouco mais de 5 milhões de euros de indemnização da Autoridade Alimentar Finlandesa pelos animais mortos devido à vigilância da gripe aviária. 

 Os representantes da indústria de peles têm afirmado frequentemente que, se a criação de peles fosse proibida na Finlândia, esta deslocar-se-ia para a China. Os números mostram que a indústria de peles também está a enfrentar tempos difíceis na China. Há cinco anos, a China produzia 12 milhões de raposas; em 2023, foram produzidas apenas 2 milhões. No mesmo período, a produção de vison registou uma quebra de quase 90%. 

 A fim de demover o governo finlandês da sua intenção de apoiar a indústria das peles, a Animalia lançou uma petição a pedir ao governo a revogação do regulamento de apoio à criação de peles e a alteração da lei do bem estar animal de forma a abranger os animais da indústria da peles.  

No passado mês de setembro foi entregue no parlamento finlandês uma iniciativa cidadã assinada por mais de 100.000 finlandeses a exigir um plano de transição justa para o fim da produção das peles. A indústria das peles finlandesa tem estado debaixo de polémica devido às evidências de maus tratos aos animais. Em dezembro foram divulgadas imagens de uma investigação levada a cabo pela ONG Oikeutta Elaimille (Justiça para os Animais) e Humane Society International que mostram raposas confinadas em pequenas gaiolas de arame, sem qualquer contacto com o solo, com feridas expostas, algumas excessivamente obesas de forma a valorizar o preço da pele e com gestos repetitivos que revelam stress mental. 

Segundo a ONG Fur Free Alliance, nas últimas duas décadas 25 países proibiram totalmente a criação de peles enquanto que outros implementaram legislação restritiva à produção ou proibiram a importação e o comércio de peles. Em Portugal não há criação de peles de raposa, vison ou de marta mas o comércio é livre, existindo a venda de peles destes animais em várias lojas de vestuário como por exemplo no El Corte Inglês.

Imagem de destaque – Raposa em cativeiro numa exploração de peles, Finlândia, foto: @Kristo Muurimaa / HIDDEN / We Animals Media  

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