Cabra a ser tosquiada numa exploração de caxemira, Mongólia, 2023. Foto: PETA Asia
Investigação da PETA revela sofrimento atroz infligido às cabras que produzem a lã de caxemira na China e Mongólia. Dezenas de marcas da moda deixaram de vender roupa de caxemira mas a Ralph Lauren recusa-se a fazê-lo.
Entre abril de 2022 e fevereiro de 2023, investigadores da ONG People for Ethical Treatement of Animals (PETA) visitaram explorações de cabras produtoras de lã de caxemira na China e na Mongólia, países de onde provêm 90% da matéria prima para o fabrico do tecido de caxemira, o tecido natural mais caro do mundo, devido às suas propriedades de suavidade, leveza e isolamento térmico. Algumas das explorações investigadas são membros da Sustainable Fibre Alliance (Aliança para a Fibra Sustentável), órgão responsável pela promoção de boas práticas sociais, ambientais e de bem-estar animal no setor da produção de caxemira.
Os investigadores descobriram que as cabras gritavam de terror quando os trabalhadores lhes prendiam e arrancavam os pelos da pele sensível com pentes de metal afiados. As cabras sofreram ferimentos e os cabritos foram castrados de forma grosseira, sem qualquer alívio da dor. Os investigadores também visitaram os matadouros, onde documentaram que as cabras são golpeadas na cabeça com um martelo. De seguida, as gargantas são cortadas com uma faca. As cabras continuaram a mexer-se durante quatro minutos depois de lhes ter sido cortada a garganta. Foram mortas à vista de outras que estavam à espera de enfrentar o mesmo destino horrível. As cabras são mortas quando deixam de produzir a quantidade lucrativa de caxemira, geralmente com apenas 4 ou 5 anos de idade, uma fração de sua expectativa de vida natural.
Após a divulgação da investigação da PETA, muitas marcas da indústria da moda deixaram de comercializar peças em caxemira. Porém, a conhecida marca Ralph Lauren, que se abastece a partir de fornecedores da Mongólia, persiste em comercializar peças de vestuário de caxemira.
Com a queda do mercado de ações da indústria da moda devido à pandemia de Covid-19, a PETA-US, como parte da sua estratégia de pressão sobre a indústria da moda, adquiriu ações de várias empresas em 2020, incluindo da Ralph Lauren. O objetivo é usar a posição de acionista afim de pressionar diretamente os conselhos de administração das empresas a abandonarem a venda de produtos de lã de ovelha, lã mohair e caxemira. Sendo confrontado com o acionista PETA na reunião anual de acionistas da Ralph Lauren, em agosto de 2023, o conselho de administração manteve a decisão de continuar a comercializar o vestuário de caxemira. A PETA tem vindo a desenvolver uma campanha de pressão sobre a Ralph Lauren apelando para que seja enviado e-mails standard para a marca apelando ao fim do comércio de lã de caxemira. Ao dia de hoje foram enviados 62.720 e-mails.
A Ralph Lauren possui 255 lojas em todo o mundo e cinco em Portugal onde é possível encontrar vestuário de caxemira.
O vídeo abaixo, resultado da investigação da PETA, revela os maus tratos às cabras na explorações de caxemira. O conteúdo não é aconselhado a pessoas sensíveis.
